Maria Frô

ativismo é por aqui

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Dunga responde a um ‘planeta’ e casseta outro

setembro 3rd, 2010 by mariafro
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Ontem vi a moçada do twitter revoltadíssima com uns pseudohumoristas.

Aqueles senhores que já foram capazes (alguns deles) de fazer um programa de humor inteligentíssimo na década de 1990, especialmente com a morte de um deles, tornaram-se umas figuras tristes.

Parece que está cada dia mais difícil explicar para esses playboys conservadores de havaianas do Leblon que inteligência é imprescindível para fazer humor.

Eles são grosseiros na tentativa de fazer piadas e na resposta aos seus leitores. Cada vez se parecem mais com o candidato que apóiam: abrem a boca e perdem ainda mais o pouco de respeito que lhes restam. Chama muito atenção como até as pautas dos piadeiros saem da campanha da coligação do candidato que apóiam.

Ainda veicula o tal programa de ‘humor’ na emissora? Nunca mais vi e olha que parei de assistir há anos e nem era período eleitoral.

Parei de assistir pelas grosserias, pelo racismo que, por vezes, até o melhorzinho deles escorrega e não se dá conta dos estereótipos que reproduz. Nunca mais vi, porque ficava abismada como o programa perdia qualidade e cada vez mais apelava para o sexismo, a  homofobia como tentativa frustada e preconceituosa de fazer humor. Enfim, não me acrescentava nada e não conseguia fazer o que justificaria a existência do programa: as pessoas rirem.

A tal da charge de ontem dá pena pelo primarismo. Se aquilo for humor, tem jornalista carioca blogueiro  que poderia tomar o lugar deles.

Atualização: O Dunga (no texto abaixo) é um cara bem mais engraçado do que os piadeiros em questão. Ele sabe fazer uso de ironias. E o meu amigo @viniciusduarte é ainda mais competente ao fazer textos escrachados e divertidos pra mostrar como esses caras piadeiros são mesmo de uma incompetência sem igual. Vá lá no Com Fel e Limão se divertir no post Tu é mó engraçadão, hein?

PS. A dica da entrevista do Dunga no Diário de São Paulo foi do @paiva_thiago.

Ironizado por tucano, Dunga afaga Lula e Dilma

PSDB cita exemplo de treinador para criticar falta de experiência de petista

No Diário de São Paulo

03/09/2010

Usado como exemplo pela campanha de José Serra no rádio para criticar a falta de experiência da candidata do PT Dilma Rousseff, o ex-treinador da seleção brasileira Dunga respondeu bem ao seu estilo. Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO, Dunga rebateu a comparação feita pela campanha de Serra entre ele e Dilma. “O Serra tem experiência. É um craque para governar o Brasil. A Dilma não. É que nem o Dunga. Nunca foi técnico de nenhum time, foi para a seleção e deu no que deu”, diz uma pessoa não identificada.

Veja o que diz o ex-técnico da seleção:

Comparação
É só ver os meus resultados e comparar. Quando eu fui campeão da Copa América e da Copa das Confederações, ele me elogiou. Agora crítica. Talvez ele esteja desesperado.

Defeitos
Eu acho que ele deveria assumir os seus defeitos para depois achar defeito nos outros.

Problemas
São Paulo não tem problema? Alaga mais que Veneza, ônibus são incendiados todos os dias.   Só o fato de São Paulo ter decidido na última hora o estádio da Copa já diz tudo. Por que ele está preocupado comigo?

Lula
O Lula também não tinha experiência e tem 80% de popularidade. Ele está fazendo o que os outros não fizeram em cem anos.

Dilma
Dilma é uma mulher e pode  ser a primeira mulher presidente do Brasil.

Democracia
Quando o Brasil precisou da Dilma ela não fugiu, lutou aqui pela democracia. Alguns correram.

Política
Para mim isso é natural (ser citado na propaganda). Se eles falassem o que deixaram de fazer seria melhor para o eleitor escolher.

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O caso do Jornal Já: No RS, Família Rigotto processa jornalista

setembro 3rd, 2010 by mariafro
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Entenda o caso:
A família do ex-governador Germano Rigotto, candidato ao Senado pelo PMDB gaúcho, move uma ação que contra o o jornalista Elmar Bones, editor do Jornal JÁ, de Porto Alegre.

O motivo de ação é uma premiada reportagem de Bones sobre aquela que seria uma das maiores fraudes da história gaúcha, ocorrida durante o governo de Pedro Simon: a licitação manipulada de 11 subestações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), que teria causado um prejuízo de R$ 840 milhões aos cofres do Estado, segundo investigações realizadas na época. Em recente decisão judicial, contas pessoais de Bones e sócio foram bloqueadas online para pagar advogados. O artigo, a seguir, sugerido por Cláudia Cardoso do Dialógico é de Luiz Claudio Cunha, do Observatório da Imprensa.

Leia também: Bloqueio irregular autorizado para pagar advogados, no Jornal Já

jornalista Elmar Bones. Foto: Carta Maior

JORNAL JÁ

Como calar e intimidar a imprensa

Por Luiz Cláudio Cunha, no Observatório da Imprensa

31/8/2010

“Quando o mal é mais audacioso, o bem precisa ser mais corajoso.” (Pierre Chesnelong, 1820-1894, político francês

Agosto, mês de cachorro louco, marcou o décimo ano da mais longa e infame ação na Justiça brasileira contra a liberdade de expressão.

É movida pela família do ex-governador Germano Rigotto, 60 anos, agora candidato ao Senado pelo PMDB do Rio Grande do Sul e supostamente alheio ao processo aberto em 2001 por sua mãe, dona Julieta, hoje com 89 anos. A família atacou em duas frentes, indignada com uma reportagem de quatro páginas, publicada em maio daquele ano em um pequeno mensário (tiragem de 5 mil exemplares) de Porto Alegre, o JÁ, que jogava luzes sobre a maior fraude da história gaúcha e repercutia o envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta e irmão de Germano.

Uma ação, cível, cobrava indenização da editora por dano moral. A outra, por injúria, calúnia e difamação, punia o editor do JÁ e autor da reportagem, Elmar Bones da Costa, hoje com 66 anos. O jornalista foi absolvido em todas as instâncias, apesar dos recursos da família Rigotto, e o processo pelo Código Penal foi arquivado. Mas, em 2003, Bones acabou sendo condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil. Em agosto de 2005 a Justiça determinou a penhora dos bens da empresa. O JÁ ofereceu o seu acervo de livros, cerca de 15 mil exemplares, mas o juiz não aceitou. Em agosto de 2009, sempre agosto, quando a pena ascendera a quase R$ 55 mil, a Justiça nomeou um perito para bloquear 20% da receita bruta de um jornal comunitário quase moribundo, sem anúncios e reduzido a uma redação virtual que um dia teve 22 jornalistas e hoje se resume a dois – Bones e Patrícia Marini, sua companheira. Cinco meses depois, o perito foi embora com os bolsos vazios, penalizado diante da flagrante indigência financeira da editora.

Até que, na semana passada, no maldito agosto de 2010, a família de Germano Rigotto saboreou mais um giro no inacreditável garrote judicial que asfixia o jornal e seu editor desde o início do Século 21: o juiz Roberto Carvalho Fraga, da 15ª Vara Cível de Porto Alegre, autorizou o bloqueio online das contas bancárias pessoais de Elmar Bones e seu sócio minoritário, o também jornalista Kenny Braga. Assim, depois do cerco judicial que está matando a editora, a família Rigotto assume o risco deliberado de submeter dois dos jornalistas mais conhecidos do Rio Grande ao vexame da inanição, privados dos recursos essenciais à subsistência de qualquer ser humano.

O personagem de Scorsese

Afinal, qual o odioso crime praticado pelo JÁ e por Elmar Bones que possa justificar tanta ira, tanta vindita, ao longo de tanto tempo, pelo bilioso clã Rigotto? O pecado do jornal e seu editor só pode ter sido o jornalismo de primeira qualidade, ousado e corajoso, que lhe conferiu em 2001 os prêmios Esso Regional e ARI (Associação Riograndense de Imprensa), os principais da categoria no sul do país, pela reportagem “Caso Rigotto – Um golpe de US$ 65 milhões e duas mortes não esclarecidas”.

A primeira morte era a de uma garota de programa, Andréa Viviane Catarina, 24 anos, que despencou nua do 14º andar de um prédio na Rua Duque de Caxias, no centro da capital gaúcha, no fim da tarde de 29 de setembro de 1998. O dono do apartamento, Lindomar Rigotto, estava lá na hora da queda. Ele contou à polícia que a garota tinha bebido uísque e ingerido cocaína. Nenhum vestígio de álcool ou droga foi confirmado nos exames de sangue coletados pela criminalística. O laudo da necropsia diz que a vítima mostrava três lesões – duas nas costas, uma no rosto – que não tinham relação com a queda. Ela estava ferida antes de cair, o que indicava que houve luta no apartamento. Um teste do Instituto de Criminalística indicou que o corpo de Andréa recebeu um impulso no início da queda.

No relatório que fez após ouvir Rigotto, o delegado Cláudio Barbedo, um dos mais experientes da polícia gaúcha, achou relevante anotar: “[Lindomar] depôs sorrindo, senhor de si, falando como se estivesse proferindo uma conferência”. Os repórteres que o viram chegar para depor, no dia 12 de novembro, disseram que ele parecia “um personagem de Martin Scorsese”, famoso pelos filmes sobre a Máfia: Lindomar usava óculos escuros, terno azul marinho, calça com bainha italiana, camisa azul, gravata colorida e gel nos cabelos compridos. O figurino não impressionou o delegado, que incluiu na denúncia o depoimento de uma testemunha informando que Lindomar era conhecido como “usuário e traficante de cocaína” na noite que ele frequentava – por prazer e ofício – como dono do Ibiza Club, uma rede de quatro casas noturnas que agitavam as madrugadas no litoral do Rio Grande e Santa Catarina. Em dezembro, o delegado Barbedo concluiu o inquérito, denunciando Lindomar Rigotto por homicídio culposo e omissão de socorro.

Lindomar só não sentou no banco dos réus porque teve também uma morte violenta, 142 dias após a de Andréa. Na manhã de 17 de fevereiro, ele fechava o balanço da última noite do Carnaval de 1999, que levou sete mil foliões ao salão do Ibiza da praia de Atlântida, a casa mais badalada do litoral gaúcho. Cinco homens armados irromperam no local e roubaram a féria da noitada. Lindomar saiu em perseguição ao carro dos assaltantes. Emparelhou com eles na praia vizinha, Xangrilá, a três quilômetros do Ibiza. Um assaltante botou a arma para fora e disparou uma única vez. Lindomar morreu a caminho do hospital, com um tiro acima do olho direito. Tinha 47 anos.

O choque de Dilma

A trepidante carreira de Lindomar Rigotto sofrera um forte solavanco dez anos antes, com seu envolvimento na maior fraude da história gaúcha: a licitação manipulada de 11 subestações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), uma tungada em valores corrigidos de aproximadamente R$ 840 milhões – 21 vezes maiores do que o escândalo do Detran que submeteu a governadora Yeda Crusius a um pedido de impeachment, quase três vezes mais do que os desvios atribuídos ao clã Maluf em São Paulo, quinze vezes maior do que o total contabilizado pelo Supremo Tribunal Federal para denunciar a “quadrilha dos 40″ do mensalão do governo Lula.

Afundada em dívidas, a estatal gaúcha de energia tinha dificuldades para captar os US$ 141 milhões necessários para as subestações que gerariam 500 mil quilowatts para 51 pequenas e médias cidades do Rio Grande. Preocupado com a situação pré-falimentar da empresa, o então governador Pedro Simon (PMDB) tinha exigido austeridade total.

Até que, em março de 1987, inventou-se o cargo de “assistente da diretoria financeira” para acomodar Lindomar, irmão do líder do Governo Simon na Assembléia, o deputado caxiense Germano Rigotto. “Era um pleito político da base do PMDB em Caxias do Sul”, confessaria depois o secretário de Minas e Energia, Alcides Saldanha. Mais explícito, um assessor de Saldanha reforçou a paternidade ao JÁ: “Houve resistência ao seu nome [Lindomar], mas o irmão [Germano] exigiu”.

Com a chegada de Lindomar, as negociações com os dois consórcios das obras, que se arrastavam há meses, foram agilizadas em apenas oito dias. Logo após a assinatura dos contratos, os pagamentos foram antecipados, contrariando as normas estritas baixadas por Simon para evitar curtos-circuitos contábeis na CEEE. Três meses depois, a empresa foi obrigada a um empréstimo de US$ 50 milhões do Banco do Brasil, captado pela agência de Nassau, no paraíso fiscal das Bahamas. Uma apuração da área técnica da CEEE detectou graves problemas: documentos adulterados, folhas numeradas a lápis, licitação sem laudo comprovando a necessidade da obra. A sindicância da estatal propôs a revisão dos contratos, mas nada foi feito. A recomendação chegou ao governo seguinte, o de Alceu Collares (PDT), e à sucessora de Saldanha na pasta das Minas e Energia, uma economista chamada Dilma Rousseff. “Eu nunca tinha visto nada igual”, diria ela, chocada com o que leu.

Dilma só não botou o dedo na tomada porque o PDT de Collares precisava dos votos do PMDB de Rigotto para ter maioria na Assembléia. Para evitar o risco de queimaduras, Dilma, às vésperas de deixar a secretaria, em dezembro de 1994, teve o cuidado de mandar aquela papelada de alta voltagem para a Contadoria e Auditoria Geral do Estado (CAGE), que começou a rastrear a CEEE com auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Ministério Público. Dependendo do câmbio, o tamanho da fraude constatada era sempre eletrizante: US$ 65 milhões, segundo o CAGE, ou R$ 78,9 milhões, de acordo com o Ministério Público.

A denúncia energizou a criação de uma CPI na Assembléia, proposta pelo deputado Vieira da Cunha, líder da bancada do PDT em 2008 na Câmara Federal. Vinte e cinco auditores quebraram sigilos bancários e fiscais. Lindomar Rigotto foi apontado em 13 depoimentos como figura central do esquema, acusação reforçada pelo chefe dele na CEEE, o diretor-financeiro Silvino Marcon. A CPI constatou que os vencedores da licitação, gerenciados por Rigotto, apresentavam propostas “em combinação e, talvez, até ao mesmo tempo e pelas mesmas pessoas”. O relatório final lembrava: “É forçoso concluir pela existência de conluio entre as empresas interessadas que, se organizando através de consórcios, acertaram a divisão das obras entre si, fraudando dessa forma a licitação”. O JÁ foi mais didático: “Apurados os vencedores, constatou-se que o consórcio Sulino venceu todas as subestações do grupo B2 e nenhuma do B1. Em compensação, o Conesul venceu todas as obras do B1 e nenhuma do B1. A diferença entre as propostas dos dois consórcios é de apenas 1,4%”.

O aval de Dulce

A quebra do sigilo bancário de Lindomar revelou um crédito em sua conta de R$ 1,17 milhão, de fonte não esclarecida. O relatório final da CPI caiu na mão de um parlamentar do PT, o também caxiense Pepe Vargas, primo de Lindomar e Germano Vargas Rigotto. Apesar do parentesco, o primo Pepe, hoje deputado federal, foi inclemente na sua acusação final: “De tudo o que se apurou, tem-se como comprovada a prática de corrupção passiva e enriquecimento ilícito de Lindomar Vargas Rigotto”. Além dele, a CPI indiciou outras 12 pessoas e 11 empresas, botando no mesmo balaio nomes vistosos como Camargo Corrêa, Alstom, Brown Boveri, Coemsa, Sultepa e Lorenzetti. No final de 1996, a Assembléia remeteu as 260 caixas de papelão da CPI ao Ministério Público, de onde nasceu o processo n° 011960058232 da 2ª Vara Cível da Fazenda Pública em Porto Alegre. Os autos somam 30 volumes e 80 anexos e mofam ainda na primeira instância do Judiciário, protegidos por um inacreditável “segredo de justiça”. Em fevereiro próximo, o Rio Grande do Sul poderá comemorar os 15 anos de completo sigilo sobre a maior fraude de sua história.

Esta incrível saga de resistência e agonia do JÁ e de Bones provocada pela família Rigotto foi contada, em primeira mão, neste Observatório, em 24 de novembro de 2009 (“O jornal que ousou contar a verdade”). No dia seguinte, uma quarta-feira, Rigotto telefonou de Porto Alegre para reclamar ao autor que assina aquele e este texto.

– Isso ficou muito ruim pra mim, Luiz Cláudio, pois o Observatório é um formador de opinião, muito lido e respeitado. Ficou parecendo que eu estou querendo fechar um jornal. Eu não tenho nada a ver com isso. O processo é coisa da minha mãe. Foi a minha irmã, Dulce, que me disse que a reportagem era muito pesada, irresponsável. Eu nem conheço este jornal, este jornalista…

– Rigotto, a dona Julieta não é candidata a nada. O candidato és tu. A reportagem do JÁ tem implicações políticas que batem em ti, não na tua mãe. E acho muito estranho que, passados oito anos, tu ainda não tiveste a curiosidade de ler a reportagem que tanta aflição provoca na dona Julieta. Se tu estás te baseando na avaliação da Dulce, devo te alertar que ela não entende xongas de jornalismo, Rigotto! Esta matéria do Bones é precisa, calcada em fatos, relatórios, documentos e conclusões da CPI e do Ministério Público que incriminam o teu irmão. Não tem opinião, só informação. O teu processo…

– Não é meu, não é meu… É da minha mãe…

– Isso é o que diz também o Sarney, Rigotto, quando perguntam a ele sobre a censura que cala O Estado de S.Paulo. “Isso é coisa do meu filho, o Fernando”…

– Eu fico muito ofendido com esta comparação! Eu não sou o Sarney, não sou!…

– Lamento, mas estás usando a mesma desculpa do Sarney, Rigotto.

– Luiz Cláudio, como resolver isso tudo com o Bones? A gente pode parcelar a dívida e aí…

– Rigotto, tu não estás entendendo nada. O Bones não quer parcelar, não quer pagar um único centavo. Isso seria uma confissão de culpa, e ele não fez nada errado. Pelo contrário. Produziu uma reportagem impecável, que ganhou os maiores prêmios. Eu assinaria essa matéria, com o maior orgulho. Sai dessa, Rigotto!

Coincidência ou não, um dia depois do telefonema, na quinta-feira, 26, Rigotto convocou uma inesperada coletiva de imprensa em Porto Alegre para anunciar sua retirada como possível candidato ao Palácio Piratini, deixando o espaço livre para o prefeito José Fogaça.

O modelo de Roosevelt

Naquela mesma quarta-feira, 25 de novembro, a emenda ficou pior que o soneto. O advogado dos Rigotto, Elói José Thomas Filho, botou no papel aquela mesma proposta indecente que ouvi do próprio Germano Rigotto, confirmando por escrito ao editor a idéia de parcelar a indenização devida de R$ 55 mil em 100 (cem) módicas prestações. Diante da altiva recusa de Bones, o advogado pareceu incorporar a doutrina do big stick de Theodore Ted Roosevelt (1901-1909), popularmente conhecida como “lei do tacape” e inspirada pela frase favorita do belicoso presidente estadunidense: “Fale com suavidade e tenha na mão um grande porrete”. O suave advogado Thomas Filho escreveu então para Bones: “… em nova demonstração de boa-fé, formalizamos nossa intenção em compor amigavelmente o litígio acima, bem como a possibilidade [sic] de nos abstermos de ajuizar novas demandas judiciais…”.

Certamente para tranquilizar o filho candidato, o advogado reafirmava na carta a Bones que a ação contra o jornal era movida “unicamente” por dona Julieta, que buscava na justiça o ressarcimento pelo “abalo moral” provocado pela reportagem do JÁ, que misturava “irresponsavelmente três fatos diversos que envolveram a figura do falecido”. Ou seja, dona Julieta Rigotto, que entende de jornalismo tanto quanto os filhos Dulce e Germano, não consegue perceber a obviedade linear de uma pauta irresistível para qualquer repórter inteligente: o objetivo relato jornalístico sobre um homem público – Lindomar – morto num assalto pouco antes de ser julgado pelo homicídio culposo de uma prostituta e pouco depois de ser denunciado no relatório de uma CPI, redigido pelo primo deputado, pela prática comprovada de “corrupção passiva e enriquecimento ilícito” na maior fraude já cometida contra os cofres públicos do Rio Grande do Sul. Mas, na lógica simplória da mãe dos Rigotto, uma coisa não tem nada a ver com a outra…

Para garantir o tom “amigável” entre as partes, o advogado de dona Julieta propôs a Bones os termos de uma retratação pública, suave como um porrete, enfatizando três pontos:

1. “Dona Julieta nunca teve a intenção de fechar o jornal”;

2. “a ação não é promovida pela família Rigotto, mas apenas por dona Julieta”;

3. “retirar o jornal de circulação, para estancar a propagação do dano”.

Tudo isso, incluindo o ameno confisco de um jornal das bancas em pleno regime democrático, segundo o tortuoso raciocínio do advogado, serviria para “tutelar a honra e a imagem de seu falecido filho”. Neste longo, patético episódio, que intercala demonstrações de coragem e altivez com cenas de pura violência, fina hipocrisia ou corrupção explícita, ficou pelo caminho o contraste de atitudes que elevam ou rebaixam. Diante da primeira ação criminal de dona Julieta na Justiça, o promotor Ubaldo Alexandre Licks Flores ensinou, em novembro de 2002:

“[não houve] qualquer intenção de ofensa à honra do falecido Lindomar Rigotto. Por outro lado, é indiscutível que os três temas [a CEEE e as duas mortes] estavam e ainda estão impregnados de interesse público”.

O orgulho de Enedina

Apesar da lucidez do promotor, o caso tonitruante da CEEE não ecoa nos ouvidos surdos da imprensa gaúcha, conhecida no país pela acuidade de profissionais talentosos, criativos, corajosos. Nenhum grande jornal do sul – Zero Hora, Correio do Povo, Jornal do Comércio, O Sul –, nenhum colunista de peso, nenhum editorialista, nenhum blog de prestígio perdeu tempo ou tinta com esse tema, que nem de longe parece um assunto velho, batido ou nostálgico. O que lhe dá notória atualidade não é o ancestral confronto entre a liberdade de expressão e a prepotência envergonhada dos eventuais poderosos de plantão, mas a reaparição de seus principais personagens no turbilhão da corrida eleitoral de 2010.

Germano Rigotto, o líder governista que emplacou o filho de dona Julieta na máquina estatal, é hoje o candidato do maior partido gaúcho ao Senado Federal. A ex-secretária Dilma Rousseff, que ficou estarrecida com o que leu sobre as fraudes de Lindomar Rigotto na CEEE, é apontada pelas pesquisas como a futura presidente do Brasil, numa vitória classificada pelo renomado jornal inglês Financial Times como “retumbante”. Tarso Genro, o ex-comandante supremo da Polícia Federal, que executou as maiores operações contra corruptos da máquina pública, lidera a corrida ao governo gaúcho e, certamente, tem os instrumentos para saber hoje o que Dilma sabe desde 1990. O primo Pepe Vargas, que mostrou isenção e coragem no relatório da CPI sobre a maior fraude da história do Rio Grande, é candidato à reeleição, assim como o deputado federal que inventou a CPI, Vieira da Cunha.

É a lógica perversa do interesse eleitoral que explica o desinteresse até dos principais adversários de Rigotto na disputa pelo Senado. O candidato do PMDB está emparedado entre a líder na pesquisa da Datafolha, a jornalista Ana Amélia Lemos (PP) – que subiu de 33% em julho para 44% na semana passada – e o candidato à reeleição pelo PT, senador Paulo Paim – que cresceu de 35% no início do mês para 38% agora. Rigotto caiu de 43% para 42% no espaço de três semanas. Na Região Metropolitana de Porto Alegre, Ana Amélia bate Rigotto por 47% a 39%. Seus oponentes desprezam o potencial explosivo do “Caso CEEE” porque todos sonham em ganhar o segundo voto dos outros candidatos, o que justifica a calculada misericórdia e o piedoso silêncio que modera a estratégia de adversários historicamente tão diferentes e hostis como são, no Rio Grande do Sul, o PT, o PMDB e o PP.

O que é recato na política se transforma em omissão nas entidades que, ao longo do tempo, marcaram suas vidas na luta pela democracia e pela liberdade de expressão e no repúdio veemente à ditadura e à censura. Siglas notáveis como OAB, ABI, SIP, Fenaj e Abraji brilham pelo silêncio, pela omissão, pelo desinteresse ou pelo trato burocrático do caso JÁ vs. Rigotto, que resume uma questão crucial na vida de todas elas e de todos nós: a livre opinião e o combate à prepotência dos grandes sobre os pequenos, apanágio de toda democracia que se respeita.

A OAB e seus advogados, no Rio Grande ou no Brasil, que impulsionaram a queda de um presidente envolvido em denúncias de corrupção, não se sensibilizam pela sorte de um pequeno jornal e seu bravo editor, punidos por seu desassombrado jornalismo e mortalmente asfixiados pelo cerco econômico surpreendentemente avalizado pela Justiça, que deveria proteger os fracos contra os fortes – e não o contrário.

A inerte Associação Brasileira de Imprensa jamais se pronunciou sobre as agruras de Bones e seu jornal. Só em setembro de 2009, um mês após a denúncia sobre o bloqueio judicial das receitas do JÁ, é que a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do RS trataram de fazer alguma coisa: uma nota gelada, descartável, manifestando solidariedade à vítima e lamentando a decisão “equivocada” da Justiça. A Associação Riograndense de Imprensa, que em 2001 conferiu à reportagem contestada do JÁ o seu maior prêmio jornalístico, só quebrou o seu constrangedor silêncio ao ser cobrada publicamente por este Observatório, em novembro passado. Todos os membros da brava Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo têm a obrigação de conhecer a biografia de Elmar Bones, que nos anos de chumbo pilotou o CooJornal, um mensário da extinta Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (1976-1983) que virou referência da imprensa nanica que resistia à ditadura.

Bones chegou a ser preso, em 1980, pela publicação de um relatório secreto em que o Exército fazia uma autocrítica sobre as bobagens cometidas na repressão à guerrilha do Araguaia. Algo mais perigoso, na época, do que falar na roubalheira operada pelo filho de dona Julieta na CEEE… No site da Abraji, a entidade emite sua opinião em quatro notas, nos últimos dois anos. Critica o sigilo eterno de documentos públicos, defende o seguro de vida para repórteres em zona de risco, repudia um tapa na cara que uma repórter de TV do Centro-Oeste levou de um vereador e, enfim, faz uma vigorosa, firme, veemente manifestação a favor da liberdade de expressão… no México. Ao pobre JÁ e seu editor, lá no sul do Brasil, nenhuma linha, nada.

A poderosa Sociedade Interamericana de Imprensa, que reúne os maiores veículos das três Américas, patrocina uma influente Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação, hoje sob a presidência de um jornal do Texas, o San Antonio Express News. Entre os 26 vice-presidentes regionais, existem dois brasileiros: Sidnei Basile, do Grupo Abril, e Maria Judith de Brito, da Folha de S.Paulo. Envolvidos com os graves problemas da Paulicéia, eles provavelmente não podem atentar para o drama vivido por um pequeno jornal de Porto Alegre. Mas, existem outros 17 membros na Comissão de Liberdade da SIP, e dois deles bem próximos do drama de Bones: os gaúchos Mário Gusmão e Gustavo Ick, do jornal NH, de Novo Hamburgo, cidade a 40 km da capital gaúcha. Nem essa proximidade livra as aflições do JÁ e seu editor do completo desdém da SIP.

Este monumental cone de silêncio e omissão, que atravessa fronteiras e biografias, continua desafiando a sensibilidade e a competência de jornais e jornalistas, que deveriam se perguntar o que existe por trás do amaldiçoado caso da CEEE, que afugenta em vez de atrair a imprensa. A maior fraude da história do Rio Grande, mais do que uma bomba, é uma pauta em aberto, origem talvez da irritação dos Rigotto contra o editor e o jornal que ousaram jogar luz nessa história mal contada. Os volumes empoeirados deste megaescândalo continuam intocados nas estantes da Justiça em Porto Alegre, protegido por um sigilo inexplicável que só pode ser útil a quem mente e a quem rouba, não a quem luta pela verdade e a quem é ético na política, como fazem os bons repórteres e como devem ser os bons políticos.

O bom jornalismo não é aquele que produz boas respostas, mas aquele que faz as boas perguntas – e as perguntas são ainda melhores quando incomodam, quando importunam, quando constrangem, quando afligem os consolados e quando consolam os aflitos.

A emoção é a última fronteira de quem perde os limites da razão. Elmar Bones tinha ganhado todas as instâncias do processo criminal, quando um juiz do Tribunal de Justiça, na falta de melhores argumentos, preferiu se assentar nos autos impalpáveis do sentimento para decidir em favor da mãe de Germano Rigotto:

“Não há como afastar a responsabilidade da ré pelas matérias veiculadas, que atingiram negativamente a memória do falecido, o que certamente causou tristeza, angústia e sofrimento à mãe do mesmo (…)”.

Dona Julieta Rigotto, viva e forte aos 89 anos, ainda sofre com a honra e a imagem maculadas de seu falecido filho, Lindomar.

Dona Enedina Bones da Costa tinha 79 anos quando morreu, em 2001, poupada assim da tristeza, angústia e sofrimento que sentiria ao ver o drama vivido agora por seu filho, Elmar. Mas ela teria, com certeza, um enorme, um insuperável orgulho pelo filho honrado e corajoso que trouxe ao mundo e ao jornalismo.

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Diário de São Paulo: Mercadante avança, Alckmin recua após horário eleitoral

setembro 3rd, 2010 by mariafro
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O que me chama a atenção é o fato de uma campanha derrubar candidato. É como se fosse melhor para Alckmin e também para Serra que, segundo as pesquisas de  intenções de voto estava a frente de Dilma antes da campanha começar, ficarem de boca fechada e não aparecerem em público para que ambos, Serra e Geraldo Alckmin mantivessem a preferência do eleitorado.

Alckmin vê Mercadante se aproximar
Apesar de tucano se manter com chances de vencer no primeiro turno, petista vem apresentando desempenho positivo desde o início da campanha, de acordo com pesquisa DIÁRIO/ Ipespe

Por: João Carlos Moreira, no Diário de São Paulo

02/09/2010

O candidato do PT ao governo do estado, Aloizio Mercadante, conseguiu diminuir a vantagem de seu adversário pelo PSDB, Geraldo Alckmin. De acordo com pesquisa DIÁRIO/ Ipespe divulgada nesta quinta-feira, o petista tem agora 24% das intenções de voto e continua bem atrás do tucano, com 46%. Mercadante tem desempenho positivo desde o início da campanha, mas Alckmin mantém as chances de vencer a eleição no primeiro turno, já que são levados em conta apenas os votos válidos.

A vantagem do tucano em relação ao petista hoje é de 22 pontos. Quando o DIÁRIO começou a série de pesquisas com o Ipespe, em junho, Alckmin estava 33 pontos à frente de Mercadante, com 50% contra 17%. A diferença se manteve até a abertura do horário eleitoral gratuito, em 17 de agosto, mas foi caindo aos poucos com a campanha no rádio e na TV.

A pesquisa anterior DIÁRIO/ Ipespe já havia detectado a variação positiva da candidatura de Mercadante. No levantamento que tinha sido feito entre 23 e 25 de agosto, ele já havia conquistado 22% das intenções de voto, enquanto Alckmin se mantinha com 49%. O atual levantamento foi feito em 31 de agosto e 1º de setembro.

A melhora no desempenho de Mercadante coincide com a subida da candidatura da presidenciável petista Dilma Rousseff nas pesquisas, inclusive no estado de São Paulo. Outro ponto que pesa a favor do candidato do PT é a decisão da cúpula do partido e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de intensificar a campanha nos estados em que a oposição está à frente na disputa pelos governos.

Como Dilma tem aumentado a vantagem em relação ao presidenciável do PSDB, José Serra, Lula e o comando petista querem não só reforçar as campanhas de candidatos aliados aos governos, mas também turbinar candidaturas ao Senado e à Câmara dos Deputados.

Cenário estável/ Além da redução da vantagem de Alckmin sobre Mercadante, a pesquisa do Ipespe mostra que a candidatura de Celso Russomanno (PP) continua oscilando negativamente na intenção de voto. O candidato do partido do deputado federal Paulo Maluf tinha 12% no início da série de levantamentos, mas foi caindo na preferência do eleitorado e está com 8%.

Já entre os demais concorrentes houve poucas mudanças. O candidato Paulo Skaf (PSB) registrou 3% das intenções de voto, enquanto Fabio Feldmann (PV) apareceu com 1%. Os outros quatro postulantes ao governo paulista – Anaí Caproni (PCO), Igor Grabois (PCB), Mancha (PSTU) e Paulo Bufalo (PSOL) – não atingiram 1% das intenções de voto

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Os Amigos do Presidente Lula respondem a Serra e a Folha

setembro 3rd, 2010 by mariafro
Respond

Parabéns Helena, parabéns ao blog Amigos do Presidente Lula.

Na minha avaliação, o problema da campanha de Serra na rede é que oficialmente começaram com Graeff e aquela gente que mente, continuaram com cabos eleitorais no twitter que convocam generais de pijama e até ex-goleiro Bruno como apoio. Oficiosamente a velha mídia combalida não checa dados mínimos e publica ficha falsa de Dilma feita pelo coturno noturno.  É o guru indiano tem um desafio enorme pela frente. Acompanhemos.

Transcrevo o post do blog dos amigos do presidente Lula. Com estas acusações Serra terá mais coisas a provar, está crescendo a lista de calúnia e difamação.

Deixo algumas questões: A mídia velha blinda Serra? Se blinda, esta blindagem funciona? Serra tem medo da blogosfera? Se tem, a blogosfera tem alguma importância? Se tem, é por isso que os trolleiros da campanha tucana oficiais e oficiosos mantêm a tag #blogprog no ar com contínuos ataques?

Serra abre fogo contra o nosso blog, mas com acusações falsas

03/08/2010

Atualização às 09:08 – Serra fez as acusações falsas contra nosso blog, também no Jornal da Globo

No Jornal da Globo (vídeo acima) e em manchete de capa no jornal Folha de São Paulo, Serra faz acusações sobre dados de sua filha que já apareciam em blogs. Na reportagem interna , cita nominalmente nosso blog:

“No ano passado, minha filha disse: “meus dados de imposto de renda estão circulando nesses blogs sujos do PT”, inclusive referências feitas em blogs da Dilma, dos amigos do presidente Lula, blogs semioficiais. Há inclusive cartas cumprimentando um dos blog pelo aniversário. Eram blogs semioficiais.”

Da parte de nosso blog esclarecemos:

1) Podem vasculhar o blog inteiro, no presente ou no passado, que não existe e nunca existiu nenhum dado obtido de imposto de renda da filha de José Serra, e nem de qualquer fonte protegida por sigilo. Nem dela, nem de ninguém. O senador Arthur Virgílio (PSDB/AM) tentou armar escândalo com essa mesma acusação contra nós e quebrou a cara, porque as informações eram públicas. Não usamos expedientes ilegais. Aqui mata-se a cobra e mostra a cobra morta.

2) Todas as notas e informações publicadas aqui sobre a filha de José Serra foram obtidas de fontes de domínio público e abertas a consultas na internet. Estão disponíveis em outros sites na internet, em revistas nacionais ou estrangeiras, em sites institucionais de empresas, portais, consultas processuais, portais de transparência, diários oficiais, e em arquivos de consulta pública do Governo da Flórida. Nas notas, tem os links para as respectivas fontes, o que prova que são informações publicas, disponíveis na web.

3) Por época do aniversário do blog, nós tomamos a inciativa de comunicar a data à presidência da República, solicitando uma mensagem aos leitores. O presidente teve a generosidade de nos atender com uma carta parabenizando-nos, o que nos dá muito orgulho. Cabe lembrar que ele já parabenizou gente como o Faustão, e nem por isso o programa do Faustão é “semioficial”.
Diversas outras pessoas, famosas ou não, parabenizaram o blog, em gesto espontâneo.

Em outro trecho da reportagem, fala sobre um encontro com o Presidente Lula, em 25 de janeiro, durante solenidade do aniversário da cidade de São Paulo:

Serra conta que, advertido pela própria filha, mostrou a Lula cópias impressas de artigos publicados em blogs de apoio ao PT e à candidatura de Dilma Rousseff.

Como os textos continham dados sobre Veronica, Serra reclamou da exposição de sua família em blogs, segundo ele, “patrocinados pelo governo”.

O tucano teria questionado Lula sobre a origem dos dados. Ainda segundo relatos a aliados, o presidente disse que não tinha nada a ver com as publicações.

Em janeiro, Serra era governador de São Paulo e liderava as pesquisas de intenção de voto para presidente. A amigos ele conta que ficou especialmente contrariado ao saber que, dois meses depois da conversa, o governo enviara cumprimentos ao blog pelo aniversário.

Continuando os esclarecimentos (presumindo que o texto do jornal narra acontecimentos verídicos):

4) Se a conversa entre Serra e o Presidente foi nestes termos, o presidente falou a mais absoluta verdade. Nós somos fãs do presidente Lula, o blog é sobre política nacional e nós o apóiamos, mas o presidente nada tem a ver conosco. O mesmo acontece com relação à Dilma Rousseff. Nos tornamos fãs e a apoiamos, mas ela e sua campanha nada tem a ver conosco.

Desde o início até hoje, somos autônomos e independentes, sem filiação partidária, sem vínculo com partidos, nem com campanhas eleitorais, nem com governos. O blog é ativismo informativo e colaborativo, com esta linha política e ideológica que sempre teve.

Já houve o processo movido pelo Ministério Público Eleitoral contra nós, procurando pêlo em ovo, e não encontraram nada.

5) A data de aniversário do nosso blog foi em novembro de 2009, e não dois meses depois de janeiro, como diz o texto de forma errada. Sobre a carta do presidente, o esclarecimento já foi dado no tópico 3, acima.

6) Estudaremos e tomaremos todas as medidas judiciais cabíveis e que estiverem ao nosso alcance, contra acusações falsas e levianas, e contra a tentativa de nos usar como bucha-de-canhão para dar um golpe eleitoral.

Por fim repudiamos o gesto fascista e coronelesco de José Serra, de pedir a intervenção de um Presidente da República para calar um blog.

É o cúmulo da falta de compreensão, por parte de Serra, do que seja ativismo político na blogosfera, e uma visão deturpada da política, apenas enxergando como se tudo fosse um balcão de negócios profissionais e marketing político.

Se o candidato demo-tucano não sabe lidar com críticas, com questionamentos, com confronto de idéias, com redes sociais, com o contraponto de informações de um simples blog, não está à altura de ser candidato a Presidente da República.

Segue o texto completo da reportagem da Folha:

Serra diz que avisou Lula sobre ataques a sua filha
ESCÂNDALO DA RECEITA Conversa teria ocorrido em 25 de janeiro, em São Paulo

Tucano, que na época era governador, teria se queixado de que blogs “patrocinados” fizeram acusações a Veronica

CATIA SEABRA
DE SÃO PAULO

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, tem dito a aliados que alertou pessoalmente, em janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a hipótese de violação de sigilo fiscal de sua filha, Veronica.
Segundo seus relatos, a conversa com Lula aconteceu no dia 25 de janeiro, quando se encontraram na solenidade oficial de comemoração do aniversário da cidade de São Paulo.

Serra conta que, advertido pela própria filha, mostrou a Lula cópias impressas de artigos publicados em blogs de apoio ao PT e à candidatura de Dilma Rousseff.

Como os textos continham dados sobre Veronica, Serra reclamou da exposição de sua família em blogs, segundo ele, “patrocinados pelo governo”. O tucano teria questionado Lula sobre a origem dos dados. Ainda segundo relatos a aliados, o presidente disse que não tinha nada a ver com as publicações.

Em janeiro, Serra era governador de São Paulo e liderava as pesquisas de intenção de voto para presidente. A amigos ele conta que ficou especialmente contrariado ao saber que, dois meses depois da conversa, o governo enviara cumprimentos ao blog pelo aniversário.

Agora, com a confirmação da quebra de sigilo da filha, Serra tem se queixado pelo fato de o governo ter negado qualquer envolvimento.

Ontem, em entrevista, Serra disse que os dados referentes à declaração de bens de sua filha eram usados, desde o ano passado, em blogs que chamou de “semioficiais”.

“Esse pessoal que vem fazendo [os blogs] é da campanha da Dilma”, acusou Serra.

“No ano passado, minha filha disse: “meus dados de imposto de renda estão circulando nesses blogs sujos do PT”, inclusive referências feitas em blogs da Dilma, dos amigos do presidente Lula, blogs semioficiais. Há inclusive cartas cumprimentando um dos blog pelo aniversário. Eram blogs semioficiais.”

Na entrevista, realizada após audiência com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, Serra acusou o governo de “blindagem” de Dilma. Mas, em nenhum momento, mencionou sua conversa com Lula.

Serra disse que Dilma é a responsável pela violação do sigilo, ainda que afirme desconhecer a quebra. “Ela é a responsável, porque é a responsável pela campanha. O esquema de espionagem foi feito com gente nomeada, reuniões, pessoas contratadas e tudo mais”, afirmou.

Serra acusou a Receita de postergar as investigações, no que chamou de operação “abafa-abafa”. Questionado sobre declarações de Lula, concordou que a Receita “é uma instituição séria e responsável”. “O problema é que o PT está conseguindo desprestigiar a Receita.”

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Paulistanos podem conhecer pouco a Dilma, mas todos nós sabemos quem é Serra

setembro 3rd, 2010 by mariafro
Respond

Quem tiver o trabalho de fazer pesquisa neste blog encontrará in loco vários textos meus, fotos, ou de outros blogueiros que mostram porque estamos entre os moradores da cidade de São Paulo que não caem no conto do Serra.

Seguem algumas palavras/expressões chaves para pesquisa: lixo, descaso, córrego, spray de pimenta, bombas de ‘efeito moral’, greve na USP, saúde, segurança pública, periferia, pedágio, greve dos professores, greve dos policiais civis, repressão, tropa de choque, violência policiais, mães de maio…

Por que os paulistanos rejeitam Serra

Por: Andre Forastieri, em seu Blog

Dilma Rousseff chegou a 41% das intenções de voto na cidade São Paulo, contra 35% de José Serra. Pesquisa do DataFolha, 26 de agosto.

Assombro geral. Será o milagroso carisma do padim Lula? A onda vermelha? O Bolsa Família? Dilma tirou de Serra o apoio da Fiesp? Tudo tem explicações. Encontrar algumas exigem esforço. Outras estão no nariz. Comece procurando a principal.

Em dezembro de 2009, 61% dos paulistanos desaprovavam o governo do prefeito Gilberto Kassab, do DEM, sendo que 27% consideravam seu desempenho ruim ou péssimo.

Mês seguinte, a cidade foi inundada. Em fevereiro de 2010, a revista Época São Paulo publicou uma reportagem de capa corajosa sobre o tema, baseada em pesquisa do Ibope e em um mergulho nos orçamentos da prefeitura. O dado mais chocante: metade dos paulistanos desejava deixar a cidade.

Mais que tanto os paulistanos viam de defeito em Kassab? A lista é longa. Transporte? Caiu a verba da Secretaria de Transportes 29%, que ao mesmo tempo ficou mais caro. Melhor andar a pé? Não, as calçadas estão podres, e o investimento para reformá-las caiu 40%.

Vamos sair nadando, então, que as enchentes continuam, e o investimento em drenagens e saneamento em 2010 será 45% menor que o de 2009, segundo o orçamento do município.Vamos à segurança? 87% dos paulistanos acham a cidade muito insegura e 52% têm mais medo que sair à noite do que no ano passado.

Vamos enfrentar o crime? Claro que não. A verba prevista no Orçamento para a Secretaria Municipal de Segurança Urbana que inclui Defesa Civil e Guarda Civil Metropolitana, foi reduzida em 15%.Faltam recursos?

É tempo de crise? Não. A economia brasileira cresce rápido. E os impostos em São Paulo também. O IPTU subiu até 30% para casas e até 45% para imóveis comerciais, mas como mudou a base de cálculo, teve casos de aumento de 100% no IPTU.

Mas o problema vai bem além de ter dinheiro no orçamento. Mesmo quando há verba prevista, a administração Kassab não usa. Exemplos sobram. Só um: em 2009, foram previstos R$ 90 milhões para construir hospitais em Parelheiros, Vila Matilde e Brasilândia, três bairros muito carentes. Para 2010, as obras terão metade dos recursos. Dá trabalho construir hospital. É mais fácil fazer propaganda.

Serra se candidatou três vezes a prefeito de São Paulo

Em 2009, o orçamento para publicidade da prefeitura foi de R$ 31 milhões. O previsto no orçamento de 2010 era de R$ 126 milhões, podendo chegar até R$ 200 milhões. Ano de eleição, já viu. Resultado de tanta propaganda: segundo levantamento de julho, 58% dos paulistanos não aprovam o trabalho de seu prefeito, Gilberto Kassab.

Com ou sem anabolizante, a nota que ele ganhou da população em julho, de zero a dez, foi 5,5. A dois meses das eleições!Para que tentar limpar a barra, se a eleição para prefeito é daqui a dois anos e Kassab não concorre a nada desta vez? A questão é que São Paulo é a vitrine número um de José Serra e Kassab, seu herdeiro político na cidade.

Uma figura irrelevante em termos eleitorais, ex-malufista, se elegeu prefeito da maior cidade do país exclusivamente porque Serra o colocou lá.Nós, paulistanos natos ou transplantados, não perdoamos essa. Ainda mais depois de tudo que Serra fez para ser prefeito.

José Serra era deputado federal quando foi candidato a prefeito de São Paulo pela primeira vez em 1988, 22 anos atrás. Ficou atrás de Luiz Erundina, João Leiva e Paulo Maluf. Se reelegeu deputado federal com votação recorde no estado, 340 mil votos. Em 1994, se elegeu senador com 5,4 milhões de votos. O que fez em 1996? Concorreu de novo à prefeitura. Perdeu para Celso Pitta e ficou atrás de Luiza Erundina.

Depois foi ministro do planejamento, da saúde, candidato a presidente em 2002 contra Lula e – adivinha – se candidatou de novo a prefeito. Na sua terceira tentativa, Serra foi eleito prefeito de São Paulo. Foi no segundo turno, com 55% dos votos válidos, 3,3 milhões. Para isso, se dispôs a assinar um documento, prometendo que, caso eleito, não abandonaria o mandato para concorrer em outra eleição.

Tomou posse dia 1º de janeiro de 2005, para um mandato que deveria ser cumprido até 1º de janeiro de 2009. Pois um ano e três meses depois, dia 31 de março de 2006, deixou a prefeitura na mão de Gilberto Kassab, seu vice. Para, claro, se candidatar a governador.

Os paulistanos escolheram um prefeito tucano, que obssessivamente buscava ser prefeito de sua cidade fazia décadas. Levaram no lugar um obscuro malufista no lugar, ex-secretário de Celso Pitta.

Boris para Serra: ” O Senhor recomenda que os eleitores nunca mais votem no Senhor caso abandone o mandato pela metade?”

Nas eleições para governador em 2006, naturalmente era forte o rumor de que Serra queria se eleger Governador só como trampolim para uma nova candidatura à Presidência. Em um debate na Record, Boris Casoy perguntou se ele cumpriria mandato até o final: “o senhor recomenda seus eleitores a não votarem mais no senhor se fizer o oposto”?

Serra disse: compromisso assumido.Serra se elegeu, contra Aloizio Mercadante, com 58% dos votos. Assumiu dia 1º de janeiro de 2007. No meio de 2009 já era claro que seria o candidato a presidente pelo PSDB, largando novamente o mandato antes da hora. Foi o que fez.

Mas antes disso, Serra tomou a decisão que selou seu destino na cidade.Nas eleições de 2008 para prefeito de São Paulo, ele apoiou seu apadrinhado Kassab, do DEM, e não o tucano Geraldo Alckmin. Pegou muito mal. Lealdade não é tudo mas é 100%. Ainda mais que Alckmin é querido de muitos paulistas e paulistanos. Foi vice de Covas, governador etc.

Embora seja do interior, é quase uma caricatura de paulistano feito por um cartunista carioca. É pálido, careca, só fala de trabalho e parece tomar banho de gravata.Em 2008, vinha de enfrentar Lula em 2006, e não deu moleza. Queimou a fita de Serra trair a confiança dos paulistanos na eleição para prefeito. Tostou, repetir o feito na eleição para governador.

Mas no meio disso, ainda teve esta bola nas costas de Alckmin, seu companheiro de partido, para apoiar Kassab.Que se elegeu exclusivamente graças a Serra, numa marola de factóides. Se tivesse feito um mandato brilhante nos anos seguintes, talvez a cidade desse um desconto para Serra.

Mas foi a tragédia acima, e completa com denúncias de desvios, jogatina imobiliária, truculência com miseráveis etc. Tudo isso é público, e um bom repórter investigativo encontraria muito mais argumentos que os que você acabou de ler.

Sou só um cara que sabe ler, que mora nesta cidade faz 27 anos e vê ela piorar ano após ano, e que desistiu de votar faz tempo. Esta é a principal explicação de porque Serra perde para Dilma na cidade de São Paulo. Nós, paulistanos, como o resto dos brasileiros, não conhecemos Dilma. Mas conhecemos Serra.

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Maierovitch:Venda de dados da Receita Federal. Hora de saber da Abin

setembro 2nd, 2010 by mariafro
Respond

Do blog do Maierovitch

02/09/2010
Última bala para atingir Dilma, ainda que por tabela.Última bala para atingir Dilma, ainda que por tabela

1. Vender dados sigilosos da Receita Federal virou “negócio” em São Paulo e se espalha por outras praças.

A propósito, um negócio criminoso, antigo e de muita gravidade.

E  esse tipo de crime resulta não só em lesão individual. Envolve, também,  a segurança do nosso Estado Democrático de Direito.

Assim, não se trata de apuração restrita à Polícia Federal e ao Ministério Público.

Parêntese: o ministro Nelson Jobim ainda insiste na sua canhestra e internacionalmente inusitada tese de não possuir o  Ministério Público, que é independente, legitimação para investigações. Na verdade, não enxerga o constitucional poder-dever investigatório do Ministério Público. A propósito dessa tese de Jobim, expressa em voto quando estava no Supremo Tribunal Federal,  os criminosos que violam dados agradecem.

Dado o interesse maior,  referente à manutenção do Estado Democrático de Direito, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) deveria ser imediatamente acionada. Até porque já deve ter informações preciosas.

2. Por evidente, quem compra e usa tais dados é partícipe do crime de violação de sigilo, além de desrespeitar garantia constitucional.

Mais ainda, não se trata de compra por mera bisbilhotice, apenas a fim de conhecer o patrimônio e as atividades de repercussão patrimonial de pessoas físicas ou jurídicas.

A meta é obter vantagens indevidas: 140 casos de vazamento estão sendo apurados pela Receita.

Dessa antiga prática, tivemos casos escabrosos. Alguns exemplos:

a) Agências norte-americanas de espionagem (em especial a CIA-Central Intelligence Agency), como demonstrou numa série de reportagens e entrevistas o jornalista Bob Fernandes,  grapearam o gabinete (escuta ambiental) e a linha telefônica privada (interceptação telefônica) do então presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC).

b) O general Alberto Mendes Cardoso, chefe do gabinete institucional da Presidência da República e responsável pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo FHC, disse ter encontrado, a respeito do escândalo do BNDS,  fitas gravadas e comprometedoras sob um viaduto na cidade de São Paulo. Ou seja, passava pela calçada e viu um pacote que lhe despertou a atenção. Por coincidência, eram comprometedoras fitas sobre o escândalo BNDS. Fora isso, a Abin conta com verba secreta para compra de matérias suspeitas e no interesse da segurança do Estado.

c) Inesquecível, ainda, o grampo ilegal (desvirtuado da autorização judicial) de conversas do embaixador Júlio César Gomes dos Santos, então chefe do cerimonial do Palácio do Planalto no governo FHC e a indicar favorecimento à empresa norte-americana Raytheon. Esse episódio derrubou o ministro da Aeronáutica Mauro Gandra.

3. Com efeito, em setembro de 2009 foram recolhidos, criminosamente, dados secretos e referentes às declarações de renda de Eduardo Jorge, dirigente do PSDB,  e de Verônica Serra, filha do candidato e empresária que manteve sociedade com a irmã do banqueiro Daniel Dantas em Miami (EUA).

À época e oficialmente, nem Dilma nem Serra eram candidatos.

Mas isso não exclui a hipótese de que criminosos já não estivessem agindo. E a  colocar no mercado dados que despertassem interesse para um período eleitoral próximo no tempo.

Atenção: interesses variados, até eleitoreiros. Quer por parte de quem deseja tirar proveito de modo a se fingir de vítima, quer por parte de aloprados do Partido dos Trabalhadores (PT), portadores de antecedentes e que já macularam a imagem de Aloizio Mercadante.

4. No jogo eleitoral não existem santos nem pessoas acima de qualquer suspeita.

O episódio da dinheirama sem comprovação de origem à disposição da pré-campanha de  Roseane Sarney foi uma armação, decorrente de espionagem e que logrou derrubar a sua pretensão presidencial. Quem armou?

PANO RÁPIDO. A desatenção da funcionária da Receita, no caso da filha de Serra, foi grave.

As falsificações eram grosseiras e o procurador requerente, Antonio Carlos Antella, contava com antecedentes criminais e administrativos (vários CPFs),  inclusive por fraudes, segundo informado na edição de hoje daFolha de S.Paulo.

Com uma funcionária desatenta, sem treinamento para conferir timbres (o nome do responsável pelo cartório estava grafado erroneamente)  e nenhuma iniciativa para ligar a fim de solicitar telefonicamente a confirmação dos cartórios de reconhecimento de firmas, obter dados fica fácil. Até para um estelionatário de quinta.

Wálter Fanganiello Maierovitch

Aviso aos patrulheiros. O acima-assinado nunca se filiou a partidos políticos. Não faz política partidária.  É independente e não votará em Serra. WFM.

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Mas afinal, qual é o escândalo?

setembro 2nd, 2010 by mariafro
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As quebras de sigilo fiscal: qual é o escândalo?
Por: Celso Marcondes
2 de setembro de 2010 às 16:55h

Diante do caso que envolve a filha de José Serra e de outras quatro pessoas ligadas à campanha tucana, o PSDB entra com representação que responsabiliza a candidata Dilma Rousseff e vai ao ataque na TV. Por Celso Marcondes. Foto: Agência Brasil

Diante do caso que envolve a filha de José Serra e de outras quatro pessoas ligadas à campanha tucana, o PSDB entra com representação que responsabiliza a candidata Dilma Rousseff e vai ao ataque na TV

A Coligação Brasil Pode Mais, que sustenta o candidato à presidência José Serra, entrou com representação junto ao Tribunal Superior Eleitoral – TSE – na qual acusa a campanha de Dilma Rousseff de uso de máquina pública e abuso de poder político.

A ação foi motivada pelo caso da quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas à campanha tucana, entre elas, Verônica Serra, filha do candidato.

Caso o TSE confirme as acusações, a candidata do PT pode perder o registro de sua candidatura. Ou, se for eleita, ter o mandato cassado.

Ao entrar com o pedido, o PSDB parte do princípio que a quebra dos sigilos ficais dos citados é uma ação orquestrada da campanha petista. Os grandes jornais endossaram essa versão. Todos dão manchetes, páginas e mais páginas ao caso nesta quinta 2. O Estado de S.Paulo é o menos apressado: apesar de dar enorme destaque ao assunto, seu foco é a tentativa da Receita em abafar o caso. Já O GLOBO, não tem meias-palavras e não vacila ao incriminar o PT. Para o jornal carioca, estamos diante do escândalo “Aloprados II”. E a “democracia está em perigo”, como escreve Merval Pereira.

A apenas um mês das eleições teria surgido o chamado “fato novo” com o poder de reverter a queda de Serra nas pesquisas? O PT estaria a mostrar sua capacidade inenarrável de repetir estratagemas inescrupulosos e desastrosos?

Para Serra e a coordenação de sua campanha não há mais margens à dúvidas. O candidato engatou a quarta marcha e disse que o PT tem práticas “fascistas”. Até chorou ao falar no assunto. Disse que seus adversários “não têm caráter”. Fez um paralelo com o caso da quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, em 2006. Na Folha de S.Paulo, até Mônica Serra, sua esposa, que é geralmente recatada e avessa aos microfones, deu entrevista exclusiva. Disse que “isso é coisa de quem não tem família, um atentado à democracia” e lembrou das dificuldades que enfrentaram durante os períodos das ditaduras chilena e brasileira.

Diante de tamanha veemência é hora de parar e perguntar: mas, afinal, qual é a natureza e o tamanho do escândalo em curso?

De fato, o que já está provado é que a Receita Federal é devassável por qualquer mortal. Um serviço básico que ela oferece – e deve mesmo oferecer – ao contribuinte que por algum motivo perde a cópia de sua declaração de IR está sendo usado por meliantes. Munido de uma procuração – falsa ou verdadeira, não importa – um cidadão pode sair de uma das agências do órgão alegre e sorridente com as declarações de renda de outros nas mãos. A partir daí, pode sair ao mercado a oferecer os dados para clientes ou concorrentes que teriam interesse em conhecer tão preciosas informações. Estaria montado o já chamado “balcão de compra e venda de sigilos”. É valioso saber a real situação financeira de alguém com quem se está negociando. Tão valioso, que já foi preso um camelô na Rua Santa Efigênia, na capital paulista, comercializando um CD com os dados de algumas centenas (ou milhares?) de pessoas.

Sabe-se também que as informações sobre os quatro próceres tucanos estavam numa relação com outros 300 nomes, dos quais até aqui foram revelados apenas o da apresentadora Ana Maria Braga e do dono das Casas Bahia, Michel Klein.

Outra informação que veio à tona, e é igualmente preocupante, é a de que a senha de acesso de um funcionário da Receita, pelo menos na delegacia de Mauá, pode ser “socializável”, ou seja, usada por um grupo de colegas. Outro procedimento que contraria as mais evidentes práticas deste nosso mundo tecnológico.

Vai daí que é possível afirmar com o que já é público e comprovado, que a Receita Federal teve sua credibilidade seriamente abalada e que o tema exige medidas imediatas e radicais do governo. Ele está com a palavra, esse é o escândalo do momento.

O escandâlo e a campanha – O que não dá para afirmar é que está determinado o envolvimento da coordenação da campanha de Dilma Rousseff nesta história, por mais que hajam tucanos na relação das – até aqui – 300 pessoas que tiveram seus sigilos fiscais violados. Por maiores que sejam os esforços para que o caso se torne central na disputa eleitoral – o PSDB já foi para o ataque no seu horário do TRE da tarde desta quinta -, algumas perguntas básicas permanecem no ar. Se a pretensão é fazer um jornalismo digno, investigativo, é preciso encontrar respostas a elas antes da análise final dos fatos e das decorrentes conclusões. A saber:

1ª. Quem pediu ao contador Antonio Carlos Atella Ferreira que fosse à delegacia de Santo André, em nome de Verônica Serra, solicitar suas declarações de renda? Ele diz que não se lembra do nome, que “deve ser de algum advogado” e que recebe “entre 15 e 20 pedidos deste por dia”. Disse também que nem sabia que se tratava da filha de Serra.

2ª. Se foi alguém ligado à campanha do PT, porque faria isso a um ano atrás (dia 30 de setembro de 2009), quando Serra ainda disputava com Aécio Neves a indicação para a candidatura tucana e a campanha de Dilma sequer havia sido estruturada? ( a mesma pergunta vale para os casos de Eduardo Jorge e dos outros 3 enunciados, cujos sigilos foram violados em outubro passado).

3ª. Se foi gente ligada à campanha do PT, porque se utilizaria de alguém com o perfil do contador Atella (revelado nas várias e tragi-cômicas entrevistas que concedeu aos jornais) para que fosse o procurador de Verônica junto à Receita?

4ª. Com as declarações do IR de Verônica, Eduardo Jorge, Mendonça, Preciado e Ricardo Sérgio em mãos, que munição bombástica teria o suposto emissário da campanha de Dilma para desestabilizar o adversário (que em 30 de setembro de 2009 ainda não estava definido)? Ou seja, o crime de violação teria consequência tão séria para valer seu risco?

Até às 16h10 desta quinta 2, as respostas a essas perguntas estão no ar. Que o decorrer dos acontecimentos ajudem a respondê-las. Ou não.

Enquanto isso, é possível que o jornalismo tenha que conviver com as seguintes hipóteses, que já povoam a internet, a respeito da autoria do crime:

1ª. Foi a coordenação da campanha de Dilma que orquestrou tudo.

2ª. Foi alguém ligado ao PT que idealizou o golpe, sem orientação da direção da campanha.

3ª. É um esquema comercial, venda de dados para interessados em negócios.

4ª. É outro esquema comercial, venda de dados para jornalistas ou escritores interessados em política.

5ª. Foi a campanha tucana que armou, para incriminar Dilma.

6ª. Foi a pré-campanha de Aécio que armou, para se armar contra a pré-campanha de Serra.

Ou não?

Para entender o caso:

O sigilo fiscal e a lógica: convém não torturá-la

Surge contador que teria retirado declaração com dados da filha de Serra

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Serra não tem espírito republicano e iguala torturadores a torturados

setembro 2nd, 2010 by mariafro
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Todos os dias recebo e-mail de serristas desesperados.

No twitter, cabos eleitorais oficiais e oficiosos da campanha de Serra chegam ao cúmulo de usar como peça de campanha uma imagem falsificada de uma passeata, cuja faixa adulterada com photoshop convoca o ex-goleiro Bruno como cabo eleitoral para a campanha, como mostrei aqui.

Fiz um longo post com imagens, mostrando as relações desses cabos eleitorais oficiais e/ou oficiosos diretamente ligados à campanha oficial de José Serra e Geraldo Alckimin. Esses cabo-eleitorais virtuais são jovens, alguns já foram assessores, outros ainda são, mas todos, sem exceção, estão no comitê paulistano de campanha do PSDB e convivem ligados a ex-subprefeitos exonerados e a vereadores do PSDB.

Quando olho as recorrentes baixarias, pergunto-me como se perguntou Idelber Avelar, onde é que foi parar o PSDB, este partido, apesar de sua raiz neoliberal tinha alguma história e está se transformando em algo que não honra os grandes nomes que já abrigou.

Daí leio e acompanho na tevê os discursos de Serra, ex-exilado que hoje abraça militares a portas fechadas e provoca lamentos na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Serra iguala torturadores a torturados, nem Bolsonaro faria melhor. Triste fim de um ex-líder da UNE.

Felizmente Serra não sentiu o gosto da tortura, nem a ele desejo tal experiência. Mas pessoas sérias como professor Paulo Sérgio Pinheiro, tucano histórico e comprometido com a defesa dos Direitos Humanos, com a aprovação do PNDH3, vai ter de sair a público para dizer que também lamenta esta perda de princípios democráticos, este descaso na defesa dos Direitos Humanos. Todos nós lamentamos.

Finalmente, em relação ao novo factóide da campanha tucana, imputando à campanha de Dilma a quebra do sigilo fiscal de sua filha Verônica: se eu fosse Dilma e o PT entraria na Justiça para fazer Serra provar suas acusações. Não é Dilma que tem de apresentar o ônus da prova e sim seu detrator.

Mas, certamente Dilma sabe que as instituições brasileiras estão cada dia mais fortes, a Polícia Federal está investigando a quebra de sigilo e atenção, foi o próprio PT a pedir que se investigasse a quebra de sigilo. Portanto, esse factóide de Serra reverberado pela mídia velha que adora apoiar golpes é só uma tentativa lastimável de tentar criar fato novo para permanecer na disputa eleitoral.

A Receita Federal é uma das instituições mais respeitadas no país. No TSE temos gente séria. Presidente Lula com 80% de aprovação nacional e com grande prestígio internacional também sabe que pode confiar nas instituições do país. Serra quer manchar a história da democracia brasileira e vai entrar para a história como um neoLacerdista que é.

A tentativa golpista do candidato que tem menos da metade das intenções de voto de sua adversária, a candidata Dilma Roussef, fará com que Serra não apenas tenha como perspectiva uma derrota acachapante, mas o fará aprender a respeitar as instituições de nosso país e a vontade popular.

Comissão de Anistia lamenta declaração de Serra sobre crimes da ditadura

Por: Por: João Peres, na Rede Brasil Atual

31/08/2010

São Paulo – O presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão, lamentou as declarações do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, que em encontro com militares afirmou que a discussão sobre a punição de torturadores da ditadura militar (1964-85) é um equívoco. A afirmação ocorreu na sexta-feira (27), no Rio de Janeiro.

Abrão considera que o teor do discurso, feito a portas fechadas com militares e revelada pela reportagem de Rede Brasil Atual, é fruto da conveniência do momento eleitoral para “não querer enfrentar diretamente um assunto que é tão caro para nossa sociedade”.

“Não é possível que nenhum pretendente a ocupar o primeiro cargo da nação ignore os tratados e as convenções internacionais de direitos humanos, que dizem o contrário. Equivaler torturados com torturadores é ignorar a perspectiva dos direitos humanos.” – Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

Serra, exilado durante o regime, atribuiu a setores do governo federal a tentativa de discutir o passado. “Reabrir a questão da anistia para mim é um equívoco porque a anistia valeu pra todos e ao meu ver não é algo que deveria ser reaberto. Uma coisa é ter conhecimento do que aconteceu etc. Outra é a reabertura dos processos que, aliás, pegaria gente dos dois lados“, disse.

Paulo Abrão discorda veementemente da análise do candidato, apontando que não é possível a comparação entre os que resistiram à violação dos direitos humanos e os que se apropriaram do Estado para cometer as violações. “Não é possível que nenhum pretendente a ocupar o primeiro cargo da nação ignore os tratados e as convenções internacionais de direitos humanos, que dizem o contrário. Equivaler torturados com torturadores é ignorar a perspectiva dos direitos humanos.”

O presidente da Comissão de Anistia avalia que é preciso aproveitar o momento para eleger, no Congresso, uma bancada alinhada à revisão da Lei de Anistia. O Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu, no último mês de abril, que a Lei 6.683, de 1979, foi fruto de um amplo processo de acordo, não havendo, portanto, necessidade de rever o tema, dando possibilidade à punição de torturadores. Com isso, restou aos familiares de mortos e desaparecidos tentar a mudança pelo Legislativo.

“Essa luta pelos direitos da transição política tem de ser feita por dentro da democracia. Não vai ser possível ter uma sociedade que respeite a verdade e que implemente ações que possam suscitar os organismos de Justiça em favor da proteção judicial das vítimas do passado se não houver também a formação de uma consciência que esteja expressada no Congresso Nacional”, avalia Abrão.

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Serra e Sergio Guerra desespero eleitoral

setembro 2nd, 2010 by mariafro
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A Receita Federal e o bode expiatório

setembro 2nd, 2010 by mariafro
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Campanha de Serra deu bode… expiatório

Por: Leandro Arndt, no blog Notícias Marxismoonline

01/09/2010

Serra e seus asseclas estão desesperados. Ante o constante avanço das intenções de voto em Dilma Rousseff, eles vão tentando forçar na cabeça do povo brasileiro a impressão de que Lula e sua candidata teriam corrompido as instituições para prejudicar o que há muito não precisa mais ser prejudicado. A jogada atual é bater em cima de uma suposta quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao tucano (embora dezenas de outras pessoas também tenham tido seus sigilos quebrados, mas sequer conhecemos os nomes das outras vítimas).

Para começar, não é nem lógico que esteja ocorrendo o que afirmam. Serra chegou mesmo a pedir a cassação da candidatura de Dilma porque reportagens de jornal afirmam que haveria um “grupo de inteligência montado pela campanha de Dilma para fabricar dossiês contra adversários políticos”. Detalhe: não apenas não seria proveitoso para Dilma falar do patrimônio ou da renda dessas pessoas – é completamente desnecessário –, como também não haveria como sua campanha fazer isso um ano atrás, quando nem comitê de pré-campanha havia. Mas, de tão óbvia, cabe a pergunta feita por Alexandre Campbell: “Por que o Governo iria querer vazar os dados da Receita de pessoas ligadas a Serra, sabendo que mídia não daria atenção para os dados vazados, mas sim para o crime cometido no vazamento?”

Contudo, como alguém entendido do assunto “Receita Federal”, devo falar de algo mais concreto. Bem mais concreto. Poderia ser esse caso o sintoma de um “aparelhamento” da Receita por algum partido? A resposta é simples: não.

Fui analista tributário da Receita Federal do Brasil (RFB). Nessa condição, cheguei a chefiar o centro de atendimento ao contribuinte em Ponta Grossa (PR) por razoável período na ausência do titular. Tenho, portanto, uma posição privilegiada para criticar o órgão, mas também para dizer o que não há de errado lá dentro. Em primeiro lugar: não há aparelhamento político da Secretaria da Receita Federal do Brasil.

Em segundo lugar: a Receita não está “escondendo” informações. Existe algo chamado sigilo – é verdade, não são só os tucanos que têm esse direito –, e o sigilo recai sobre todas as investigações disciplinares (hoje sou servidor da Controladoria-Geral da União, órgão central do sistema correicional do governo federal, e posso falar um bocado disso também). Portanto, as acusadas (não deveríamos nem saber seus nomes, e posso garantir que os documentos formalmente publicizados a esse respeito não trazem o nome delas) têm direito à honra e à imagem, que devem ser preservadas, e somente ao final do processo este se tornará público, pois aí se saberá se são culpadas ou inocentes. Antes disso, aquele que revela quem está sendo investigado – e ainda não é culpado – comete crime de… violação de sigilo funcional. A favor do PSDB e contra Dilma, pelo que me consta.

Em terceiro lugar: alguém sabe onde fica a agência da Receita Federal em Mauá? Digo, alguém sabe onde, na estrutura do poder executivo federal, fica a agência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em Mauá, São Paulo? Ela está subordinada à delegacia da RFB em Santo André (SP), que está subordinada à superintendência da RFB na 8ª região fiscal, que está subordinada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que está subordinada ao Ministério da Fazenda, que está subordinado ao Presidente da República. Lembram aquela história do sub do sub do sub? A agência da Receita Federal em Mauá está abaixo disso. A chefia dessa agência recebe a mais baixa gratificação do chamado “grupo direção e assessoramento superior” (DAS), que na verdade cabe a qualquer chefia de unidade (não recebem DAS supervisores, chefes de seção etc.). Alguém tão no final da estrutura organizacional da Receita Federal (lembrem-se de que há acusadas subordinadas à chefia da agência, “reles mortais” na Receita) poderia “aparelhar” o órgão ou espelhar tal “aparelhamento”? Com certeza não.

Cabe ressaltar aqui que, entre as versões vazadas sobre o as investigações do vazamento, há aquela que fala de uma “quadrilha” para a violação de sigilos fiscais naquela unidade da RFB. Mas, se é uma “quadrilha especializada na violação de sigilos fiscais”, isso significa aparelhamento político? Prefiro não me rebaixar ao nível de responder tamanha obviedade.

Uma última questão que deve ser levantada é a seguinte: teria a servidora envolvida na suposta violação do sigilo fiscal da filha de José Serra, Verônica Allende Serra, alguma culpa em tal violação? Ao que tudo indica, não. Esclareço: um servidor público, ao se deparar com um documento público aparentemente autêntico, deve dar fé a ele e agir como se autêntico fosse. Se realmente o reconhecimento da firma da filha de Serra foi falsificado, somente um perito criminal da Polícia Federal poderá dizer, jamais um analista tributário da Receita Federal do Brasil. E, por fim, a guarda de documentos num ambiente movimentado como o atendimento ao contribuinte na RFB (eu mesmo atendia em média 40 pessoas) é relativamente precário. É fácil sumirem documentos que justificam o acesso a dados protegidos por sigilo fiscal. Somente uma investigação rigorosa poderá dizer se realmente houve violação de sigilo.

Enfim, é muito simples resumir o que está acontecendo. Como sabemos, a mídia clama por um fato novo, algo que dê algum alento à candidatura de José Serra para que pelo menos possa ir para um eventual segundo turno. Na ausência do tal “fato novo”, requentam os velhos, como as tais “violações de sigilo”. Além disso, pode parecer que Serra tem alguma intenção golpista, depois de falar para militares que haveria hoje uma “república sindicalista” como a que os reacionários diziam que haveria em 1964, e que haveria um “aparelhamento político” da Receita Federal – e de todo o Estado – por esse partido surgido do sindicalismo do ABC paulista no final da ditadura militar. Mas, como disse o Maurício Caleiro, “Não há a mínima condição para um golpe-tapetão. Querem é asociar a vitória ao autoritário.”

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